minha objetividade, minha subjetividade
para t.
meu desejo de estar em você é tão profundo
enlouquece-me buscar-me para chegar em você
escapa-me o seu devaneio e deixa-me em razão
escapa-me o seu motivo e deixa-me em devaneio
desejo beber de seu charme e de seus olhos esverdeados (beleza que dói)
marcas fortes de sobrancelhas que hipnotizam junto ao verde mar
desejo saciar minha inveja de tuas qualidades e pegar um pouco de você para mim
desejo o toque de suas mãos em meus ombros e escorregando para a minha cintura
desejo o seu respirar na altura do meu umbigo, despertando toda minha libido
desejo os seus sonhos, os seus ideais, o seu medo, a sua doçura, a sua música
desejo sua morte em mim e a minha morte em ti
tenho contigo esta relação de objetividade e subjetividade
tenho comigo a mesma relação de energias
porque você, muitas vezes,parece tão eu
porque você me ultrapassa e é tão humanidade
porque eu te ultrapasso e também sou tão humanidade
porque faz ultrapassar-me e ser o melhor que sou
seria você apenas um recorte de humanidade ou a própria humanidade?
desejo meu de tua mão em meu ventre e seus calores ao pé do meu ouvido
desejo meu de homem e de humanidade e de mulher que sente-se em todas as idades
e desejar estar contigo é querer estar comigo
e te decepcionar é me decepcionar
e teus devaneios em parte são meus
e tuas razões em parte são minhas
e você sou eu e eu me misturo com você
sublime – outono de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
um delírio
eu me dispersara como pétala de flor. aceitara o que este mundo tivera para mim. da chuva fizera-se o arco-íris numa verdadeira cruzada pelo céu. presenteara-me com o precioso “agora” no instante em que acordei no corpo de um inseto. após o susto sentia-me pela primeira vez na vida realmente livre para ser quem eu era, livre daquela máscara do personagem que havia construído para mim no trabalho e na família. quem agora poderia fazer cobranças a um inseto? (nem eu mesmo). nesta condição, finalmente, nada esperaria(m) de mim, a vida seria mais fácil assim. minha chefe saíra apavorada de meu quarto após insistente desconfiança da real gravidade dos fatos. meu pai como sempre mal olhara ou escutara, apenas motivara-me com palavras deprimentes e pejorativas. minha mãe em seu silêncio, com dor, tudo dizia. irmãos nunca tive, apenas um amigo que não estava lá. ao menos nesta condição quem insistiria em levar-me a encontros pedantes de família. ou me cobrariam as contas por vencer, ou apontariam meu atraso no relógio escravocrata e ainda me faria vender minha alma em troca de um salário. teria certeza se de fato tenho nesta vida algum amigo. quanto aos amores já tinha a resposta antes disso. será que também mentiriam a um inseto? deste sonho dantesco guardo ainda a miséria da raça humana. Um fragmento asqueroso do horror a feiúra do anti-sociável, do torto, do incrédulo, da arrogância, do intolerável. porém vira-me livre do desespero disfarçado de me importar e pedir desculpas hipócritas. finalmente deixara claro que não mudara apenas me disfarçara para viver entre outras misérias humanas igualmente disfarçadas.
(Sol) Lyllytthhg - ainda inverno de 2008
eu me dispersara como pétala de flor. aceitara o que este mundo tivera para mim. da chuva fizera-se o arco-íris numa verdadeira cruzada pelo céu. presenteara-me com o precioso “agora” no instante em que acordei no corpo de um inseto. após o susto sentia-me pela primeira vez na vida realmente livre para ser quem eu era, livre daquela máscara do personagem que havia construído para mim no trabalho e na família. quem agora poderia fazer cobranças a um inseto? (nem eu mesmo). nesta condição, finalmente, nada esperaria(m) de mim, a vida seria mais fácil assim. minha chefe saíra apavorada de meu quarto após insistente desconfiança da real gravidade dos fatos. meu pai como sempre mal olhara ou escutara, apenas motivara-me com palavras deprimentes e pejorativas. minha mãe em seu silêncio, com dor, tudo dizia. irmãos nunca tive, apenas um amigo que não estava lá. ao menos nesta condição quem insistiria em levar-me a encontros pedantes de família. ou me cobrariam as contas por vencer, ou apontariam meu atraso no relógio escravocrata e ainda me faria vender minha alma em troca de um salário. teria certeza se de fato tenho nesta vida algum amigo. quanto aos amores já tinha a resposta antes disso. será que também mentiriam a um inseto? deste sonho dantesco guardo ainda a miséria da raça humana. Um fragmento asqueroso do horror a feiúra do anti-sociável, do torto, do incrédulo, da arrogância, do intolerável. porém vira-me livre do desespero disfarçado de me importar e pedir desculpas hipócritas. finalmente deixara claro que não mudara apenas me disfarçara para viver entre outras misérias humanas igualmente disfarçadas.
(Sol) Lyllytthhg - ainda inverno de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Trânsito I e II
Trânsito I
Sorrisos são livres no trânsito da cidade
Energias perdem-se nos faróis de metal e vidro
A liberdade deixa os caminhos confusos
E cada ponto de luz busca o caminho de casa
A neblina gélida da tristeza de inverno
Enche um sorriso de melancolia e prisão
As ruas congestionadas por solidões
:uma solidão em cada carro
Parece que cada ser solitário sente falta do tato
E na falta da liberdade de um sorriso escondido
Restam os esbarrões de latas e vidros acessos
E entre altos e baixos ainda respira-se
Ás vezes chocar-se com outro carro
É um pedido desesperado de contato
Uma tentativa de voltar para casa
Com um sentir nascido do livre sorrir
[E quem sabe o sorriso encontre
O caminho de volta para casa]
(Sol) Lyllythhg – Primavera/2008
Trânsito II
Sorrisos em trânsito congestionado são asas
Energias perdem-se em vidro e metal
A liberdade deixa o caminho inaugural
E cada lanterna busca o caminho de casa
A neblina gélida da tristeza de inverno
Enche um sorriso de melancolias e prisões
As ruas bloqueadas por carros e suas solidões
:cada metal e vidro enfileirado é únidade
Cada carro solitário sente falta do tato
Na ausência da liberdade de um sorriso escondido
Restam os esbarrões de latas e vidros acessos
E entre altos e baixos ainda respira-se carbono
O trânsito é pedido desesperado de contato
O choque entre latas é o único contato possível
Uma tentativa do sentir e de voltar para casa
Com um livre sorrir recém nascido do impacto
(Sol) Lyllytthhg – primavera/2008
Sorrisos são livres no trânsito da cidade
Energias perdem-se nos faróis de metal e vidro
A liberdade deixa os caminhos confusos
E cada ponto de luz busca o caminho de casa
A neblina gélida da tristeza de inverno
Enche um sorriso de melancolia e prisão
As ruas congestionadas por solidões
:uma solidão em cada carro
Parece que cada ser solitário sente falta do tato
E na falta da liberdade de um sorriso escondido
Restam os esbarrões de latas e vidros acessos
E entre altos e baixos ainda respira-se
Ás vezes chocar-se com outro carro
É um pedido desesperado de contato
Uma tentativa de voltar para casa
Com um sentir nascido do livre sorrir
[E quem sabe o sorriso encontre
O caminho de volta para casa]
(Sol) Lyllythhg – Primavera/2008
Trânsito II
Sorrisos em trânsito congestionado são asas
Energias perdem-se em vidro e metal
A liberdade deixa o caminho inaugural
E cada lanterna busca o caminho de casa
A neblina gélida da tristeza de inverno
Enche um sorriso de melancolias e prisões
As ruas bloqueadas por carros e suas solidões
:cada metal e vidro enfileirado é únidade
Cada carro solitário sente falta do tato
Na ausência da liberdade de um sorriso escondido
Restam os esbarrões de latas e vidros acessos
E entre altos e baixos ainda respira-se carbono
O trânsito é pedido desesperado de contato
O choque entre latas é o único contato possível
Uma tentativa do sentir e de voltar para casa
Com um livre sorrir recém nascido do impacto
(Sol) Lyllytthhg – primavera/2008
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