terça-feira, 15 de dezembro de 2009

o problema é o nome

alfinetes passam
pelos olhares
ultrapassam
o triângulo a frente

não, não
um triângulo quadrado
formado
pela luz de alfinetes

três a mostra
um escondido

o mantra
do movimento
quebra o silêncio
do olho perdido

platéia
ausente-presente
presente-ausente
presente- sol

raio de sol
sob o escuro

mira
o alucinar
alheio

e em seu rastro,
Liliane,
há silêncio branco

e quem de fora
te olha
evita a busca
própria
es(x)piando em si
a figura posta

Liliane

penetra luz
no cérebro
pra colocar dentro
o ponto de Sol
sob o escuro

abismo solto

Língua

I
uma ligação ao coração poderia ser a salvação? músculo sem sentido, corda no pescoço de quem já se vê perdido. um trabalho para a luz no interior das veias

cheias

eletricidade incontida. risco, fio, destino, piso, escada. acesso – aceso. luso-fusco. um piscar no quarto

susto

esquizofrenia

branco

II
: o cansaço comeu palavras

palavras no sangue. transbordou pó em letras soltas

farelo

- Extremidade –

desespero do suicida a beira da última palavra em silêncio na solidão do mar. mergulho fundo entre plaquetas e leucócitos. jorrar desprovido de sexo. do nada: copular. na ressaca, o banho de areia. espumas.

Lamparina - substantivo feminino

buscar nas palavras a paixão, escrita, inspiração, nome próprio.

Revelação

:(des)construção.

explosão das palavras a se fixarem no acolchoado das paredes brancas.

útero materno.

(Sol) Lyllytthhg – primavera/2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

alma penada

penas sem amor
falta alma
fica a casca

(Sol) Lyllytthhg
inverno/2009

sábado, 11 de julho de 2009

escolha

a escolha do silêncio
por si só é linguagem

tormento é peneirar
palavras no indizível,

necessidade áspera
e indispensável,

:peneirar palavras
para preservar o
silêncio.

(Sol) Lyllytthhg
inverno/2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

silêncio metafísico

grifos sanguineos

soltos papéis

desenho social

primitivo

papelões

:o pardo é alma
espasmos.

(Sol) Lyllytthhg - inverno/2009
outono/2010

sábado, 20 de junho de 2009

Açougue público

carnes de açougue penduradas
no desfilo do trajeto diário
dos mesmos bois e vacas
no mesmo horário
nos mesmos dias

animais incomunicáveis
a prenderem-se no metal suspenso

um expremer de carnes
olhos dispersos no vidro embaçado
o ar pesado e quente
que presente o matadouro

:mais uma segunda-feira nublada.

(Sol) Lyllytthhg
ainda outono/2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Facilidade profissional

Optarei, então, pela observação,
pela comodidade da não incomodação,
livre da chateação social de sorrir
:amarelo - seria a cor para os dentes?

Já não me incomodarei mais,
vou preferir a anulação submissa
de quem quer se ver livre do trabalho.

Melhor a invisibilidade

:ninguém espera nada de mim.

(sol) Lyllytthh
outono/2009

Os pequenos toques de não na impossibilidade

Tentei contar o tempo do coração esta noite
enquanto a cidade corria frenética
e os carros estacionavam enfileirados na rua.
Coração insistiria em esperar no incontável,
os vultos-movimentos dariam lugar ao trânsito interior?

:sou carro em fio de navalha sob o céu de outono
- é tempo de esfriar o motor no calor da fumaça fria.

(sol) Lyllytthhg - outono/2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Baudelaire

Mundo alheio de olhos dispersos,
o peso reflexivo na escuridão de si,
delicadeza do toque das mãos tediosas,
ausentes de qualquer consolo ou chão
no horizonte, outono em cores neutras

:o gelar de dentro em branco e preto:

mãos, expressão e céu brancos,
a catedral escura veste a figura,
o profundo olhar alcança o nada.

(sol) Lyllytthg (exercício poético: outono/2009)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

caminhar

passos cotidianamente imagéticos

cinturão de Afrodite

um pedaço de chocolate no tapete

a pequeníssima barata na calçada escura

o peso da idade e do pai na memória

a construção incomoda disto que chamo

:liliane

em traje mitológico
disfarço o Desajeito

na reunião familiar
na brevidade do poema
na ausência de alguém em mim

(sol) Lyllytthhg
outono/2009
maio/2010

filhas

em meu ventre
frases mal paridas

em meu olhar
música

no meu toque
doces

em meu estômago
a fome de palavras


(sol) Lyllytthhg
outono/2009
maio/2010

outono

alma de outono
a banhar a terra
com o desmanchar
de folhas que caem

ancestralidade imortal
banho de ar frio
entardecer azul
fino sorriso de lua

meu coração
abraça a criança
que nunca conhecerei
:paz entre estações

dias curtos dão licença
a noites e mornas brisas
que acariciam a
tristeza com alegria

É o ciclo da morte
que prepara a vida
a espera do inverno
e o encontro primaveril.

Sublime -
verão/ outono - 2009

ele - elo

:o sol e a lua
nas mesmas costas nuas

toda tua estrutura
escorrega em meu olhar


(sol) Lyllytthhg
outono/2009
maio/2010

sexta-feira, 24 de abril de 2009

nascimento do sim

queria poder acalantar o filho que nem nasceu. uma música feita em embalo de mãe a ninar seu primeiro bebê recém-nascido. o parir ora com dor, ora sem dor. um cutucar com cuidado que emociona o chão a vibrar. pinga água no balde de casa. cada gota :um novo encantamento escrito em partitura muda, que só o não é capaz de entender. o não explicável da razão, sentido em vibração de sim. minha alma lagrimeja a alegria de penetrar o nascimento sentido na pele que se rasga extasiada no ventre cheio de notas.

(Sol) Lyllytthhg

Pentagrama

Leve fio de vidro. Pinga a cortar o ar. Noites de sábado. As notas libertam-se no voar. Marijuanas brisam em cinco fios de músicas-sensações. Pisam em notas, gritos, palavras. Sexo forte. Álcool a mover dedos artesões do som. Espumas de mar formam as paredes, área vertical de azul segue areia que banha o chão. Três metais dão vozes as bocas: às vezes, palavras, às vezes, apenas, efeitos e sons. Almas que circulam no ambiente. Paixões: uma arte, produções de corações. Viagem astral, mulheres, decepções... Estrelas de cinco pontas. Invade-me uma música inaugural. Novidades que consquistam e o fascinante processo de construção em forma de estrela. Cada ponta a brilhar seu potencial.
:janelas, olhos da alma - Ventana.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

30 anos

ser mulher é tão confuso. incompreensão em si. desejar ser homem pra fugir. gritar, acalmar, partir. é amar a imperfeição que realça a beleza. esperar que a beleza não seja exclusivamente posta a mesa e mesmo assim dela cuidar. é ainda acreditar que é possível mudar um homem (e no fundo saber que isto não acontece: ninguém muda nínguém apenas nos mesmos fazemos isto). é querer ser boa mulher na cama. ser boa dona de casa. ser profissional. ser amiga. ser companheira. e sendo tudo isto achar sempre que não é nem metade disto. é queixar-se da rotina e perceber o amor que mantém isto tudo. ser mulher é ter medo de ser mulher e não dizer. é ser homossexual entre verdadeiras amigas. é ter odio por tanto amar. é eternamente confundir-se e de idade trocar. é ter 40, 80, 20, 60 anos - em um mesmo dia.
(estou com trinta)

sábado, 3 de janeiro de 2009

eterno desassossego

venta nas areias do castelo
e existir é a solidão em si
as ondas de sal chegaram ao céu
quando o mar ganhou doçura
das águas da construção de areia

e o vento doce do corpo de areia
foi levado ao mar em mim mesmo
meus olhos fecharam-se como quem
descansa na brisa da tarde de verão

o castelo derramou-se em sonhos
meninice em vida adulta
os pés de sal esmagaram
a frágil construção pueril
as mão eram ausentes de linhas
não haviam frentes de combate

a areia refez-se ao pé de uma árvore
junto ao mar esmagador e o céu turvo
ouviu-se o canto do mundo, cortante,
ilimitado, indefinido, constante
a luz gris do sangue de um romântico
inundou a ancestralidade do céu

as mãos do mar redesenharam o castelo
e a areia já não podia desamar o sal
liquidez que tanto a desconstruia
e neste redesenhar sem pernas e braços
acontecem entrelaçamentos e abraços

o sal é sentido, sem beleza ou feiúra
um não-mãos, um não-pernas

o castelo de areia beija a boca do nada
lábios acessos que vêem em sua direção
um quase sem si, na solidão do existir.

(Sol) Lyllytthhg – janeiro/2009