sábado, 11 de outubro de 2008

o último balbuciar

antigo brilho da chuva
vem me dizer gotas de saudade
febril balbuciar da água em mim

na noite, o branco da lua
invade o sonbrio vazio que suspende
a solidão ovalada e clara sem fim.

(Sol) Lyllytthhg - primavera/2008

Um homem no meio da multidão

(ele não quer compartilhar o almoço de domingo
foi no tempo em que se dedicava aos livros
que descobriu o esvaziamento silente em si mesmo
do alívio destruidor de quem escreve o fogo)

O homem no meio da multidão tem saudade de lembrar do futuro.

(Sol) Lyllytthhg - primavera/2008

mais um pensamento...

"Você não entra no mesmo rio duas vezes!
Eráclito

parafrasear

o ovo

"ver clara em si mesmo"
Clara igual a claridade, claro!

(Sol) Lylltthhg - primavera/2008

o acidente de avião do ano passado

o caos do trabalhador é pegar o metrô lotado todos os dias
morar em São Bernardo e ir para a zona leste de São Paulo

nas ruas, no pico do trânsito, motoboys arriscam a vida
"É bom para a gente. A gente ganha por hora, né?!”, diz um deles
nas últimas 48 horas São Paulo registra 92 acidentes envolvendo motos
(estamos na primavera, anos iniciais do século XXI)

no ano passado, vôo 3410, morreram aproximadamente 200 pessoas
(interessa saber o número exato?)

(um acidente no metrô) todos os dias: acidentes envolvendo carros

mas e no metro? ninguém sequer menciou o número de mortes
ainda falava-se do acidente de avião e dos números 200 e 3410

interessa mesmo saber os números exatos?

o trabalhador ignora o acidente do metro e continua usando este caótico meio de transporte todos os dias lotado
e a conversa da viagem ainda é o acidente de avião do ano passado.

(Sol) Lyllytthhg - 2007/2008 - Primavera

colisão social

Minha mãe sempre diz:
"Quando você for atravessar a rua,
olhe pra cima pra ver se um avião vai cair"

(Sol) Lyllytthhg - Outono/2007

plasticidade

plástica eternidade de concreto
em meio ao natural ruido de brancura amassada
finíssimos enlaces de dedos
transparência neutra de máscaras comerciais
essencial plasma moldado em fogo, calor, pressão
liquidez límpida de almas plásticas

plásticidade a sobreviver em função do dinheiro
:capital gerador do caos

mãe terra de cobertura artificial
mundo de agressão audiovisual
plástico lixo desalmado
:móbiles plásticos suspensos
em (des) equilibrio
na dança da solidão suspensa no ar.

(Sol) Lyllytthhg - 2007/2008 - Primavera

pensamento

"Um livro deve ser o machado que rompe o mar gelado existente em cada um de nós".

Franz Kafka

pensamento

"Um livro deve ser o machado que rompe o mar gelado existente em cada um de nós".


Franz Kafka

poesia social?

o som

há quem possa
resistir
ao exato apelo
do soco do
não pão

a miserável ausência
de não ter pão
nada a satisfazer
o vazio
de roncos
ensurdecedores

pensamento (s)?
nem um

:único
som:

PÃO!

(Sol) Lyllytthhg - Outono de 2007