terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O chão de cada hoje

para t.

E o vento era chão em meu coração
verão estranho, quando tudo continuou

:vermelho

o azul de sua calma misturou-se ao meu fogo,
o céu ficou roxo salpicado por pingos prateados

Agora, ainda venta no chão de meu coração
:tão cotidiano e intimidade e ainda roxo
cheio de salpicos e cantos de sabiá azulado
olhares proibidos, desejos ocultados
toques ensaiados em pensamento
corre, corre
carro, horários, trabalho

um respiro no asfalto
um canto no trânsito metropolitano
o equilíbrio oriental no caos ocidental

aquela azeitona na empada do café de fim de tarde
o cappuccino no dia respingado de garoa e neblina
o cheiro de memória da tua pele em meu respirar
o renovar de beijos sentidos sempre pela primeira vez

o sorriso infantil e singular
o gosto em ver a meiguice
o verde luz do dia de hoje
a mão que fica no pescoço

seu corpo que vai
seu espírito que fica
:eu, vazia
casca que deixou a alma ir
para fazer carinho em ti

sublime - quase verão/2008

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


pontos de humanidade

para cada ponto de ancestralidade há
um brinde preto, perfumado e quente

o sol se pôs na colher preta de café
sentiu-se o cheiro laranja iluminado
naquela negrume pressentido em grãos

meias-luas marrons formavam casais que
se transformavam em pó mágico após a vida

e dos casais de luas
a humanidade relacionou-se
:geração após geração
:tradições e tradições
de receber bem outros casais
filhos, filhos e mais casais
tempos e tempos permeados pelo pó
transcorridos em cordialidades
firmados em brindes
dos ancestrais da humanidade

(Sol) Lyllytthhg – quase verão/2008


inspiração...