eterno desassossego
venta nas areias do castelo
e existir é a solidão em si
as ondas de sal chegaram ao céu
quando o mar ganhou doçura
das águas da construção de areia
e o vento doce do corpo de areia
foi levado ao mar em mim mesmo
meus olhos fecharam-se como quem
descansa na brisa da tarde de verão
o castelo derramou-se em sonhos
meninice em vida adulta
os pés de sal esmagaram
a frágil construção pueril
as mão eram ausentes de linhas
não haviam frentes de combate
a areia refez-se ao pé de uma árvore
junto ao mar esmagador e o céu turvo
ouviu-se o canto do mundo, cortante,
ilimitado, indefinido, constante
a luz gris do sangue de um romântico
inundou a ancestralidade do céu
as mãos do mar redesenharam o castelo
e a areia já não podia desamar o sal
liquidez que tanto a desconstruia
e neste redesenhar sem pernas e braços
acontecem entrelaçamentos e abraços
o sal é sentido, sem beleza ou feiúra
um não-mãos, um não-pernas
o castelo de areia beija a boca do nada
lábios acessos que vêem em sua direção
um quase sem si, na solidão do existir.
(Sol) Lyllytthhg – janeiro/2009